Blog da Editora Advaita com textos de dialogos com Sri Nisargadatta Maharaj e outros Mestres como Sri Ramana Maharshi, Jean Klein, Ramesh Balsekar, Tony Parsons, Karl Renz e outros. Não-dualidade. Para encomendar o livro "Eu Sou Aquilo" Tat Twam Asi - Conversações com Sri Nisargadatta Maharaj" escrever para editora.advaita@gmail.com

domingo, 6 de dezembro de 2009

Capítulo Um

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A TEORIA BÁSICA

Os leitores de índole mais filosófica podem achar estranho que o primeiro capítulo desta obra seja intitulado ‘A Teoria Básica’. Pode lhes parecer que a obra toda deveria ser dedicada à teoria. Na verdade, entretanto, Ramana Maharshi estava muito mais envolvido com o trabalho prático de treinar os aspirantes do que com a exposição da teoria. A teoria tinha a sua importância apenas como base para a prática.

Devoto: Dizem que o Buda ignorava perguntas sobre Deus.

Bhagavan: Sim, e por isso ele era chamado de agnóstico.

Na verdade o Buda apenas se ocupava em guiar o buscador para realizar a Bem-Aventurança aqui e agora, ignorando discussões filosóficas sobre Deus e outros assuntos metafísicos.

D.: O estudo da ciência, psicologia, fisiologia, etc., ajuda a alcançar a Libertação do Yoga ou a compreender intuitivamente a unidade da Realidade?

B.: Muito pouco. Um pouco de conhecimento teórico é necessário para o Yoga, e este pode ser encontrado em livros, mas a aplicação prática é o que é indispensável. O exemplo e a instrução pessoais são as maiores ajudas. Quanto à compreensão intuitiva, a pessoa pode esforçadamente se convencer da verdade a ser compreendida pela intuição, da sua função e natureza, mas a intuição real é mais um sentimento, e requer um contato concreto e pessoal. O mero aprendizado de livros não é de grande utilidade. Depois da Realização todas as cargas intelectuais viram fardos a serem jogados fora.

Preocupação com teoria, doutrina e filosofia pode de fato ser danoso, na medida em que distrai a pessoa do esforço espiritual, que é o que realmente importa, oferecendo uma alternativa mais fácil, meramente mental, e que por isso mesmo não pode mudar a sua natureza.

Qual é a utilidade do aprendizado para aqueles que não buscam erradicar as cartas do destino (escritas em sua fronte), inquirindo: “De onde nascemos nós que conhecemos essas cartas?” Eles se equiparam a um gravador. O que mais eles são, Oh Arunachala? Os pouco instruídos se libertam mais facilmente do que aqueles cujo ego não se abrandou apesar de toda a sua cultura. Os chamados homens sem cultura estão livres do
domínio implacável do demônio da auto-fascinação; eles estão livres da doença da turbulência de pensamentos e palavras; eles estão livres de correr atrás de riqueza. É de mais de um mal que estão livres.


De igual maneira, ele não dava nenhum valor às discussões teóricas.

É devido à ilusão nascida da ignorância que as pessoas falham em reconhecer e permanecer Naquilo que é sempre e para todos a Realidade inerente habitando como Eu Real em seu centro natura, o Coração, e que, ao invés disso, elas discutem se Ela existe ou não, se tem forma ou não, se é dual ou não-dual.
Pode algo surgir separado daquilo que é eterno e perfeito? Esses tipos de disputa são infindáveis. Não participe delas. Ao invés disso, volte a sua mente para o interior e ponha um fim a tudo isso. Todas as disputas são fúteis.

Em última análise, até mesmo as escrituras são inúteis.

As escrituras servem para indicar a existência do Poder Maior, ou Eu Real, e apontar o caminho rumo a Isto. Este é seu propósito essencial, e fora disso elas são inúteis. No entanto, elas são muito volumosas a fim de poder adaptar-se ao nível de desenvolvimento de cada buscador. A medida que o homem avança na escalada ele vê os estágios já alcançados apenas como degraus para estágios mais elevados, até que alcança o objetivo
final. Quando isso acontece apenas a meta permanece, e tudo o mais, inclusive as escrituras, se torna inútil.


Às vezes, é verdade, ele expunha a filosofia em toda a sua complexidade, mas fazia isso apenas como uma concessão à fraqueza daqueles que estavam viciados ao pensamento, como ele mesmo disse na sua obra Auto-Inquirição. Eu pensei em transcrever aqui essa citação, mas encontrei esta passagem que também traz este conselho: O labirinto complexo da filosofia das várias escolas tem como propósito apenas clarificar os assuntos e revelar a Verdade, mas na verdade, o que faz é criar confusão quando nenhuma deveria existir. Para entender qualquer coisa deve haver um eu. O Eu é evidente, então por que não permanecer como o Eu? O que o não-eu precisa explicar?

E espontaneamente ele acrescenta:

"Eu fui realmente feliz por nunca ter me interessado por filosofia. Se eu tivesse me envolvido com ela provavelmente não teria chegado a lugar algum; mas as minhas tendências mentais inatas me levaram diretamente a indagar “Quem sou eu?” Que bom!"
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De: "Os Ensinamentos de Sri Ramana Maharshi em suas Próprias Palavras" - Arthur Orsborne publicado pela Editora Advaita

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