Blog da Editora Advaita com textos de dialogos com Sri Nisargadatta Maharaj e outros Mestres como Sri Ramana Maharshi, Jean Klein, Ramesh Balsekar, Tony Parsons, Karl Renz e outros. Não-dualidade. Para encomendar o livro "Eu Sou Aquilo" Tat Twam Asi - Conversações com Sri Nisargadatta Maharaj" escrever para editora.advaita@gmail.com

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Manter-se na Pura Consciência

   


Como posso recuar de minhas emoções, desejos e agitações de modo que eu possa manter-me na Pura Consciência?

Você não pode manter-se na Pura Consciência porque ela é o que você é. O que ela é e o que é você é a luz em toda percepção. Todos os objetos, todas as percepções dependem da luz, sua natureza real. Não podem existir sem perceber a luz. Eu chamo sujeito final a esta luz em todas as percepções. Está claro que não tem nada a ver com o sujeito, o “eu”, o qual passa por nós mesmos na relação sujeito-objeto. A percepção existe apenas porque você, luz, Consciência, sujeito final, ou como o quiser nomear, é. A percepção aparece e desaparece em você.
Desta forma, seja completamente consciente da percepção. Veja que ela existe no tempo e no espaço, enquanto você é atemporal. Espaço e tempo não são senão energia em movimento. Quando nenhum sujeito volitivo interfere para cristalizá-la, a percepção toma forma e então se desfaz de volta ao silêncio, pois o silêncio é contínuo, enquanto a percepção é descontínua. Portanto acentua o que percebe, o sujeito, não o percebido, o objeto. Em um primeiro momento você experimenta a Consciência silenciosa e, depois, a dissolução da percepção, mas, mas tarde, você será o silêncio tanto na presença como na ausência de objetos.
Como uma folha de papel em branco não é afetada pelo que você escreve sobre ela, da mesma forma a Consciência impessoal não é afetada pelos três estados de vigília, sono e sonho. Estes três estados são sobreposições à Consciência Pura.

Parece paradoxal que devamos ultrapassar um movimento no tempo para estabelecer-nos no que você chama de atemporalidade. Nós nos estabelecemos nela ou ela em nós?

Seja consciente de como você funciona. Conheça seu corpo, suas sensações, seus sentimentos, medos e pensamentos. É então que você pode descobrir que o que chama de seu corpo, sentidos e mente, são apenas idéias que você mantém na mente sem conhecer realmente o que são. Você sobrepõe uma imagem-memória a seu corpo e suas emoções.
Assim, o primeiro passo, se podemos falar de passos, é ver quão raramente você escuta devido às suas constantes reações e à antecipação. Na observação inocente, o que é visto aponta novamente para a própria visão. Não há mais nenhuma interferência de um ego que se apressa em julgar, qualificar ou concluir. Você se descobre em uma atenção que é livre de tensão e concentração, onde não há ninguém atento nem algum objeto de atenção. Viva esta atenção sem referência a algo, pois ela está fora da relação sujeito-objeto. Você é Consciência que permanece durante todos os variados estados nos quais entramos e saimos. Ali e então há apenas o amor e a alegria de viver a serem descobertos.

Quando você entrou na sala, você sentou e retirou sua jaqueta. Onde estava sua mente quando você a retirou?

Não há nenhum ator, apenas atuação, apenas o retirar da jaqueta. Na realidade, não há nenhum ator de modo algum. O ator é uma sobreposição, uma forma de memória que aparece apenas depois da ação. Na própria ação, há apenas unidade. Você pode crer que é possivel atuar e, enquanto atua, pensar “Eu estou agindo”, mas estas duas coisas não acontecem ao mesmo tempo, O “eu”, como um ator, é um pensamento; a ação é outro pensamento; e dois pensamentos não podem existir simultaneamente. A rápida sucessão de pensamentos dá uma impressão de simultaneidade, mas só pode haver um pensamento num momento.

Você está dizendo que retirou a jaqueta inconscientemente?

Veja... Estou sentado aqui, mas não sou o corpo. O corpo é um objeto de minha percepção. Este objeto sente calor e este sentimento de calor remove a jaqueta, uma ação completamente espontânea, mas não há alguém que atue. Este “eu” que retirou a jaqueta aparece depois como uma idéia, como uma imagem de mim mesmo como ator. Mas, durante a própria ação não é possível estar em uma idéia de mim mesmo e no ato ao mesmo tempo.
Digamos que você seja um violinista. Enquanto toca o violino não é possível pensar, “Estou tocando o violino”. No momento de tocar, você está completamente envolvido no movimento, de forma que não há lugar para a idéia de um intérprete.  O pensamento “Estou tocando” pode passar rapidamente pela sua mente, mas neste instante você está nesta idéia, não no tocar. Nossa linguagem é dualística. Quando você diz “Estou tocando o violino” significa que o fato de tocar o violino pertence a um “eu”. Quando você identifica o “eu” com o violinista, você tem uma idéia de si mesmo como intérprete. Mas, realmente, este “eu” não tem nada a ver com o violinista.

A maioria de nós se identifica com nosso corpo, nossas ações, nossos pensamentos e sentimentos. Isto é o que aprendemos desde que éramos muito jovens. Mas você parece dizer que este processo de identificação é falso. Que percepção nos leva à posição de não-identificação? 

Seus pais deram a você uma forma e um nome. Sua educação e ambiente lhe atribuíram muitas qualificações  e você se identificou com elas. Em outras palavras, a sociedade lhe deu uma idéia de ser alguém. Assim quando você pensa por si mesmo, você pensa em termos de um homem com todos os tipos de qualificações que acompanham sua imagem. Esta acumulação passou por muitas mudanças, mas ainda assim você é consciente delas. Você pode lembrar de quando tinha sete anos. Você pode lembrar de quando não tinha barba. Isto indica que há um observador destas mudanças. A habilidade para observar as mudanças indica que a mudança está em você, não você nela, pois se assim fosse, como poderia observá-la? Assim, o que realmente pertence à percepção (para usar sua palavra) é o que é imutável em você. Você é a testemunha de todas as mudanças, mas esta testemunha nunca muda. Assim, a questão real é, “Como eu posso conhecer a testemunha?” 

Não estou certo de ter entendido o que você quer dizer. Entendo que as mudanças acontecem e são lembradas em meu cérebro, e estou consciente destas memórias. Não vejo a necessidade de admitir uma testemunha.

A testemunha está sempre presente, é sempre presença. É o que não se identifica com a mudança, com as circunstâncias, e então as “observa”. Sempre que você atenta para uma mudança, você o faz de uma posição do presente. É um pensamento presente. É esta presença contínua por toda a vida que nos chamamos de
testemunha. Não se pode dizer que nasceu, pois nascimento e morte são idéias, conhecimento de segunda mão, algo que foi falado a você. Conhecer a testemunha, portanto, significa experimentar o estado de presença em todas as mudanças. Chamar de “testemunha” à presença é apenas um artifício pedagógico para mostrar-lhe que você não é a imagem que tem de si mesmo, e para destacar o sujeito, não o objeto, em suas percepções. No fim, mesmo a testemunha se dissolve na presença da qual emergiu. 

Quando o corpo morre, a consciência permanece?

O que é o corpo? O corpo é um pensamento, uma invenção da mente. Quando você olha para o céu, onde está o corpo? Quando você olha para o céu, onde está o homem? Há um homem? Há apenas visão do céu. Sem o pensamento de ser um homem, não há homem. Você tem a idéia de um corpo, mas na realidade ele não existe. O corpo, o homem, são formas de pensamento.
Você não desperta de manhã. É a idéia de um corpo que desperta em você. O que há antes que o corpo desperte? 
Você é! 

Isto é simplesmente uma idéia... Eu não estou consciente de existir antes de despertar.

Isto é verdade, mas ainda você estava presente antes de o corpo acordar. Você conhece certos momentos em que o corpo não está completamente desperto, mas você está.
Uma vez satisfeito um desejo, há um momento de carência de desejos onde não há ninguém sem desejos. Há apenas ser, e nisto não há nem idéia nem emoção. Você pode ter uma bela esposa. Quando estão separados um do outro, você pode visualizar seu encanto, sua forma, sua inteligência e todas as suas qualidades. Mas chega o momento em que todas as qualidades desaparecem e há apenas um ser. Não há mais alguma imagem de um amado ou uma imagem de um amante. Há apenas amor. Isto é o que quero dizer quando afirmo que você não é nem os sentidos nem a mente. Você é este amor. 

Como posso libertar-me desta imagem de mim mesmo?

Torne-se plenamente consciente da idéia que você tem de si mesmo. Este “eu” é um objeto que você pode conhecer. Você conhece seus desejos, medos e ansiedades, mas quem é o conhecedor? Você nunca pode objetivar o conhecedor porque você é ele. Então, seja o conhecedor. Não tente encontrar-se em algum lugar em uma auto-imagem porque você não está em parte alguma. Não procure por si mesmo! 

Porque sempre nos identificamos com o que não somos?

Reformulemos esta pergunta. Perguntemos em primeiro lugar, “O que é que não somos?” Não somos o corpo, os sentidos ou a mente. Mas, para entender isto realmente, devemos aceitar primeiro nossas funções físicas e mentais. O conhecimento real de alguma coisa exige abertura total.
Talvez você seja consciente de que seu corpo está pesado ou tenso, mas seu corpo é mais do que peso e tensão. Conheça o corpo através da escuta, pois o corpo está em você, não você nele. O corpo é um depósito de histórias, devemos dar-lhe a oportunidade de revelar-se. E, para fazer isto, você deve estar silencioso. Na escuta, não há lugar para alguém que escuta. Há apenas atenção, escuta vazia, a qual permite que o corpo expresse sua história. De qualquer outra forma, você não pode nunca conhecer seu corpo, porque ele se converte em uma projeção da memória. Para a maioria de nós, não é o corpo que desperta a cada manhã, mas a impressão, a idéia que se tem dele. Ele não é real. Você pode perguntar “O que é real?” Aquilo que existe em si mesmo é real. O corpo necessita da consciência para existir. Se você não está consciente dele, o corpo não existe. 

Ele existe na consciência de outras pessoas. Não é este o argumento do Bispo Berkeley para a existência de Deus?

Primeiro se deve entender o que você pretende dizer com a palavra Deus? Deus não é mais ou menos uma idéia? O que é Deus para você exceto uma idéia? 

O que não depende de nossa consciência para existir?

Tudo o que pode ser percebido não tem realidade; tem necessidade de um representante para ser conhecido. Apenas a consciência é real porque não necessita de nenhum representante. O corpo é simplesmente uma idéia. Ele aparece e desaparece em você quando você não pensa sobre ele. Ele aparece e desaparece na consciência, e o que aparece e desaparece na consciência é nada mais que consciência. O corpo, a totalidade do universo, é uma expressão da consciência. 

Qual a diferença entre mente e consciência?

Você pode ter consciência de sua mente. Você pode ter consciência das funções dos hemisférios direito e esquerdo de seu cérebro. Você é o conhecedor de sua mente, de seu cérebro. Portando, você não é a mente.


De: "A Simplicidade de Ser" Dialogos com Jean Klein




quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Em face da morte





Visitante: Meu filho único morreu há alguns dias em um acidente de carro, e eu achei quase impossível aceitar sua morte com uma coragem filosófica. Sei que não sou a primeira pessoa a sofrer tal perda. Também sei que cada um de nós terá que morrer algum dia. Tenho buscado alívio em minha mente recorrendo a todos os truques usuais pelos quais nos consolamos uns aos outros em tais situações. E, ainda assim, volto ao fato trágico de que um destino cruel privou de tudo o meu filho, na flor da juventude. Por quê? Por quê?  Pergunto-me todo o tempo. Mestre, não posso superar minha dor.
          Maharaj: (Depois de meditar por um minuto ou mais, com os olhos fechados) É inútil e fútil dizer que eu estou aflito, pois, na ausência do ‘eu’ (de ‘mim’ como um indivíduo) não há ‘outros’, e me vejo refletido em todos vocês. Obviamente, você não veio a mim buscando mera simpatia, a qual você deve ter recebido em abundância de seus parentes e amigos. Lembre-se, vai-se pela vida, ano após ano, apreciando os prazeres habituais e sofrendo as dores normais, mas sem nunca ver a vida uma vez sequer em sua verdadeira perspectiva. E o que seria esta verdadeira perspectiva? Seria isto: Não há nenhum ‘eu’, nenhum ‘você’; não podem existir tais entidades. Todo homem deverá entender isto e ter a coragem para viver sua vida com esta comprensão.
          Você tem esta coragem, meu amigo? Ou, você se dedicará inteiramente ao que você chama de seu pesar?
          V: Maharaj, perdoe-me, não entendi inteiramente o que você disse, mas me sinto assustado e chocado. Você expôs a essência de meu ser, e o que você disse de forma tão resumida parece ser a regra de ouro para a vida. Por favor, poderia explicar com mais detalhes o que você disse? O que exatamente deverei fazer?
          M: Fazer? Fazer?  Absolutamente nada: Apenas veja o transitório como transitório, o irreal como irreal, o falso como falso, e você compreenderá sua verdadeira natureza. Você mencionou o seu pesar. Você já olhou para o ‘pesar’ face a face e tentou entender o que ele realmente é?
          Perder alguém ou alguma coisa que você amou muito causará aflição. E, desde que a morte é a aniquilação total, com irrevogabilidade absoluta, a aflição causada por ela não será suavizada. Mas, mesmo uma esmagadora aflição não poderá durar muito, se você a analisar intelectualmente. O que é exatamente que o aflige? Volte para o início: você e sua esposa concordaram com alguém que teriam um filho – um corpo particular – e que ele teria um destino determinado? Não é um fato que a própria concepção foi um acaso?  Que o feto tenha sobrevivido a muitos perigos no útero foi outro acaso. Que a criança era um menino foi outro acaso. Em outras palavras, o que você chamou seu ‘filho’ foi apenas um evento ocasional, um acontecimento sobre o qual você não teve qualquer controle em qualquer momento, e, agora, aquele evento chegou ao fim.
          O que é exatamente que você lamenta? Lamenta acaso pelas poucas experiências agradáveis e pelas muitas outras desagradáveis que seu filho perdeu nos anos por vir? Ou, você está, real e verdadeiramente, lamentando pelos prazeres e amenidades que você não mais receberá dele?
          Lembre-se, tudo isto é do ponto de vista do falso! Acompanhou-me até aqui?
          V: Estou assustado, e continuo abalado. Certamente, segui o que você disse. Apenas não entendi o que você quis dizer quando disse que tudo isto era do nível do falso?
          M: Ah! Agora passaremos ao verdadeiro. Entenda, por favor, como verdadeiro, o fato de que você não é um indivíduo, uma ‘pessoa’. A pessoa, aquela que se pensa que se é, é apenas um produto da imaginação, e o ser é a vítima desta ilusão. A ‘pessoa’ não pode existir por si mesma. É o ser, a consciência, que erroneamente acredita que exista uma pessoa e que é consciente de sê-la. Mude seu ponto de vista. Não olhe o mundo como algo externo a você mesmo. Veja a pessoa que você imagina ser como uma parte do mundo – realmente um mundo de sonhos – o qual você percebe como uma aparência em sua consciência, e olhe para todo o espetáculo de fora. Lembre-se, você não é a mente, a qual não é senão o conteúdo da consciência. Enquanto você se identificar com o corpo-mente, será vulnerável à aflição e ao sofrimento. Fora da mente há apenas ser, não ser pai ou filho, isto ou aquilo.
          Você está além do tempo e do espaço, em contato com eles apenas no ponto do aqui e do agora, mas, de outra forma, é atemporal, ilimitado e invulnerável a qualquer experiência. Entenda isto e não se lamente mais. Uma vez que compreenda que não há nada no mundo que você possa ou necessite chamar seu próprio, você olhará para ele do exterior, como veria uma peça em um palco ou um filme sobre a tela, admirando e apreciando, talvez sofrendo, mas, no fundo, completamente impassível.

De: "Sinais do Absoluto" 



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A consciência, o único ‘capital’





Maharaj freqüentemente aparece com a declaração de que a consciência seria o único ‘capital’ com o qual nasce um ser consciente. Isto, ele diz, é apenas a situação aparente. A situação real, contudo, é que o que nasce é a consciência, a qual necessita de um organismo para manifestar-se, e que este organismo é o corpo físico.
          O que dá sensibilidade – capacidade para sentir sensações, para responder a estímulos – ao ser consciente? O que distingue uma pessoa que está viva daquela que está morta? Seria, certamente, o sentido de ser, o conhecimento de estar presente, consciência, o espírito vitalizador que anima a estrutura física do corpo.
          É a consciência, sem dúvida, que se manifesta em formas individuais e dá a elas uma existência aparente. No ser humano, através de tal manifestação, surge o conceito de um eu separado. Em cada indivíduo, o Absoluto se reflete como Consciência, e, assim, a Consciência pura torna-se Consciência de si mesma, ou consciência.
          O universo objetivo é um fluxo contínuo, constantemente projetando e dissolvendo inumeráveis formas. Sempre que uma forma é criada e a vida é infundida (Prana), a consciência (Chetana) surgirá, simultânea e automaticamente, pela reflexão da Consciência Absoluta na matéria. A consciência – isto deve ser claramente entendido – é um reflexo do Absoluto na superfície da matéria, produzindo um sentido de dualidade. Como diferente disto, a Consciência, o estado Absoluto, é sem início e fim, sem a necessidade de qualquer apoio a não ser ela mesma. A Consciência torna-se consciência apenas quando tem um objeto sobre o qual refletir-se. Entre a pura Consciência e a Consciência refletida como consciência, diz Maharaj, há um intervalo que a mente não pode cruzar. O reflexo do sol na gota de orvalho não é o sol!
          A conciência manifesta é limitada pelo tempo, visto que desaparece logo que a estrutura física que habita chega ao fim. Todavia, de acordo com Maharaj, ela é o único ‘capital’ com o qual nasce um ser sensível. E a consciência manifesta, sendo sua única conexão com o Absoluto, torna-se o único instrumento pelo qual o ser sensível poderá esperar obter uma liberação ilusória do ‘indivíduo’ que acredita ser. Sendo um com sua consciência e tratando-a como seu Atma, seu Deus,  ele poderá conquistar  o que considera inacessível.
          Qual a real substância desta consciência desperta? Obviamente, deve ser a matéria física, pois, na ausência da forma física, não poderá sobreviver. A consciência manifesta pode existir apenas enquanto sua residência, o corpo, for mantida sadia e em condição habitável. Embora a consciência seja um reflexo do Absoluto, ela é limitada pelo tempo e pode ser sustentada apenas pelo alimento material, incluindo os cinco elementos, o que o corpo físico é. A consciência reside em um corpo saudável e o abandona quando ele decai e está pronto para morrer. O reflexo do sol pode ser visto apenas em uma gota de orvalho limpa, não em uma enlameada.
          Maharaj diz freqüentemente que nós podemos observar a natureza e funcionamento da consciência em nossa rotina diária de sono, sonho e vigília. No sono profundo, a consciência se retira para um estado de repouso, por assim dizer. Quando a consciência está ausente, não há nenhum sentido de existência ou presença de si mesmo, e menos ainda a existência do mundo e seus habitantes, ou de alguma idéia de escravidão ou liberação. Isto é assim porque o próprio conceito de “eu” está ausente. No estado de sonho, uma partícula de consciência começa a agitar-se – não se está ainda plenamente acordado – e então, em uma fração de segundo, naquela partícula de consciência, é criado um mundo inteiro de montanhas e vales, rios e lagos, cidades e vilas, com construções e pessoas de várias idades, incluindo o próprio sonhador. E, o que é mais importante, o sonhador não tem qualquer controle sobre o que as figuras sonhadas estão fazendo! Em outras palavras, um novo mundo vivo é criado em uma fração de segundo, fabricado como resultado da memória e da imaginação meramente por um simples movimento naquela partícula de consciência. Imagine, portanto, diz Maharaj, o extraordinário poder desta consciência, uma mera partícula que pode conter e projetar um universo inteiro. Quando o sonhador acorda, o mundo de sonhos e as figuras sonhadas desaparecem.
          O que acontece quando o sono profundo e também o estado de sonho terminam, e a consciência aparece novamente? O sentimento imediato, então, é o da existência e presença, não de um ‘eu’, mas presença como tal. Logo, contudo, a mente assume e cria o ‘eu’ – conceito e consciência do corpo.
          Maharaj diz-nos repetidamente que estamos tão acostumados a pensar de nós mesmos como corpos tendo consciência, que achamos muito difícil aceitar ou mesmo entender a situação real. Na realidade, é a consciência que manifesta a si mesma em inumeráveis corpos. É, portanto, essencial perceber que nascimento e morte são apenas o início e o fim de uma corrente de movimentos na consciência, os quais são interpretados como eventos no espaço e no tempo. Se pudéssemos entender isto, deveríamos também compreender que somos puro ser-Consciência-felicidade em nosso estado original imaculado, e, quando em contato com a consciência, somos apenas a testemunha dos (e totalmente separados) vários movimentos na consciência. Este é um fato evidente porque, obviamente, nós não podemos ser o que percebemos; o percebedor deve ser diferente do que ele percebe.
 
"Sinais do Absoluto" 




Followers

Receber os artigos via-mail

Contador

Pesquisar este blog

visitantes