Blog da Editora Advaita com textos de dialogos com Sri Nisargadatta Maharaj e outros Mestres como Sri Ramana Maharshi, Jean Klein, Ramesh Balsekar, Tony Parsons, Karl Renz e outros. Não-dualidade. Para encomendar o livro "Eu Sou Aquilo" Tat Twam Asi - Conversações com Sri Nisargadatta Maharaj" escrever para editora.advaita@gmail.com

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Quem é este que está tecendo essa trama?




Pergunta: Eu estou aqui porque não quero renascer.  

Karl: E, precisamente por causa deste desejo, isto acontecerá.  

P: O quê? 

K: O desejo de evitar algo é sempre o comando que o faz acontecer. 

P: Então, diga-me, como libertar-me deste desejo... 

K: Não, você não pode libertar-se de nada. 

P: ...ou como eu posso sair disto. 

K: Você não pode sair. Mas você pode se devotar a não se libertar de nada, e não sair! Isto é tudo. Isto é autorrealização. A autorrealização está percebendo que você não pode escapar do que você é. Recoste-se e aprecie. Não haverá ninguém mais que possa faze-lo.  

P: Se eu pudesse gozar a vida, eu não estaria aqui.  

K: Você está aqui porque você não tem escolha. Você não pode fazer de outra forma. Você é a liberdade que não tem escolha de como se expressar. Se ela tivesse uma escolha, não seria a liberdade. Aprecie este estado sem escolha, esta inevitabilidade de sua existência. Esta é a apreciação real: ver que você nunca pode mudar o que você é.  

P: Para mim isto é mais ou menos o oposto da apreciação.   

K: Posso apenas dizer a você: aquilo que você é goza cada momento e o oposto de cada momento. Regozija-se completamente. E este que pensa que não está apreciando a si mesmo é também parte da apreciação.  

P: O fato que eu sou parte de algum tipo de gozo não me leva a parte alguma. Quero ser aquele que goza.  

K: Aquilo que você é goza tambem da não apreciação!  


P: Isso parece ser uma trama complicada.  


K: Voce está certo. É uma trama complicada.

P: Obrigado.  

K: Mas quem a tece, a aranha, é você. Você está tecendo a infindável rede de pensamentos cósmicos e formas. O momento virá quando você pensar: “O que significa essa teia? E, de qualquer maneira, quem a tece? Acho que sou eu mesmo que a está tecendo! É isto!”  No despertar do ‘eu’, a trama começou. Você é a fonte desta trama infindável de guerra e paz: toda a teia da criação. Você é o tecedor de cada pensamento e cada forma. Mas, na realização repentina de que você é, toda a teia é sugada de volta. Uma vez que isto seja visto, não há mais nem mundo nem teia.  

P: Você espera que eu o siga?  

K: Não, de forma alguma. Eu não estou aqui para ajudá-lo a entender alguma coisa.  

P: Mas?  

K: Estou sentado aqui de forma que aquele que pensa que pode entender desapareça no não entendimento.  

P: Antes de desaparecer, eu gostaria de receber algumas soluções.  

K: Eu não dissolvo nada. Ao contrário. Eu crio nós.  

P: Sim, eu percebo isto.  

K: Eu não estou aqui para dissolver nós. Eu crio nós. Eu ato tantos nós em seu cérebro que você pode repentinamente perceber que é impossível desfazê-los. Assim você pode abandonar as tentativas e simplesmente se tornar tranquilo. Uma vez que esteja completamente tranquilo, quem se interessa se existiam palavras, ou renascimentos, ou teias, ou nós e dissoluções?




(Karl Renz: Without A Second)



Nenhum comentário:

Followers

Receber os artigos via-mail

Contador

Pesquisar este blog

visitantes