Blog da Editora Advaita com textos de dialogos com Sri Nisargadatta Maharaj e outros Mestres como Sri Ramana Maharshi, Jean Klein, Ramesh Balsekar, Tony Parsons, Karl Renz e outros. Não-dualidade. Para encomendar o livro "Eu Sou Aquilo" Tat Twam Asi - Conversações com Sri Nisargadatta Maharaj" escrever para editora.advaita@gmail.com

domingo, 10 de janeiro de 2010

O Nectar da Imortalidade







Se obtemos e saboreamos o néctar dos pés do Senhor, o charan-amrita, a mente pode ser conquistada. Isso significa que a mente não vai mais ter domínio sobre nós. Seu domínio imposto sobre nós desde a infância não irá mais nos oprimir. Isso é chamado de manojaya – vitória sobre a mente. Mas isso torna-se possível apenas através da Graça Dele. Sem a Graça, não podemos saborear o néctar. Entretanto, apenas um devoto verdadeiro, um bhakta, um deus, pode obter o charan-amrita. Mas quem e o que é esse devoto? Ele não é nada além da consciência, o sentido de ser, o conhecimento que “nós somos”, que apareceu inconsciente e espontaneamente em nós. A consciência é o charan-amrita, o néctar dos pés do Senhor.

O cosmos inteiro em seu vibrante movimento ativo é representado pela consciência, os pés do Senhor, e o universo é o corpo da consciência. Mas qual é sua relação com todos os seres? Ela reside no âmago de todos os seres como o conhecimento “eu sou”, o amor de “ser”, o charan-amrita.

Aquele que bebe o néctar dos pés do Senhor é um verdadeiro devoto. Ele habita no conhecimento “eu sou”. Ele é divino. Então, quando a pessoa beberica continuamente esse néctar ao testemunhar a consciência ou o sentido de ser, a sua mente - que diferencia e avalia as pessoas observadas como masculinas e femininas, ela gradualmente remove a si mesma do foco de atenção, deixando a consciência em sua glória inata.
Mas como tal estado pode ser alcançado? Apenas se aceitamos totalmente o conhecimento “eu sou” como sendo nós mesmos com total convicção e fé, e se firmemente acreditarmos no dito: "eu sou aquilo pelo qual eu sei que 'eu sou'”. Esse conhecimento “eu sou” é o charan-amrita. Por que é chamado de Amrita – o néctar? Porque é dito que, ao beber néctar a pessoa se torna imortal . Portanto, um devoto real, ao habitar neste conhecimento “eu sou” transcende a experiência da morte e atinge a imortalidade. Mas enquanto a mente permanece não conquistada, a experiência da morte é inevitável.
Embora meus discursos continuem sem parar com os muitos visitantes, meu ponto de vista permanece inalterado. Por que? Porque meu ponto de vista está estabilizado no charan-amrita. Ele permanece fixo na consciência - a fonte dos conceitos e linguagens. Dela emana a linguagem desde sua formação mais sutil até a sua expressão mais grosseira, vocal, como para, pashyanti, madhyama, e vaikhari*.
Se você pudesse apenas abandonar todos os outros esforços espirituais e disciplinas e absorver-se em saborear o charan-amrita, através da permanência na consciência, a mente libertaria você de suas garras. Atualmente, você aceita gentilmente o que quer que a mente dita como sendo de você próprio. Se a mente for silenciada, onde fica você e o que você é?
Uma vez que você afundar dentro da consciência, o fatual estado da Realidade será revelado a você com o conhecimento que irá emanar de você intuitivamente, como uma fonte de água. Isso irá capacitá-lo a discernir não apenas o que é real e o que é irreal, mas mais importante, a realizar o que “eu sou”.
O que sou eu para mim apenas? O que é a vida? Uma vez que essas questões são resolvidas intuitivamente e a realidade emerge, a mente não pode mais predominar. Entretanto, o funcionamento da mente continuará, mas a qualidade do funcionamento será totalmente diferente. Alguém que atingiu tal estado, permanece não afetado por qualquer acontecimento, visto que as balburdias da mente não podem ter efeito. E quem poderia ser essa pessoa? Certamente não um individuo que está aprisionado na concha da mente. Mas essa pessoa é o conhecimento “eu sou” - a consciência.
É dito que devemos quebrar as algemas que nos prendem ao corpo e ao mundo. O que isso significa? O que quer que seja visto e percebido está no nível do corpo e do mundo. Um apego é desenvolvido com os objetos percebidos, e então nós nos identificamos com um corpo como sendo nós mesmos e clamamos os objetos como sendo de nossa propriedade. O apego é a natureza da mente, e ela obstinadamente persiste nesses apegos. Mas se você beber o charan-amrita ao se estabilizar na consciência, tudo será resolvido e você será iluminado. Você não precisa ir à ninguém para clarificar suas dúvidas.
Enquanto faço minhas tarefas e canto bhajans em louvor a Deus e assim por diante, para vocês eu pareço estar profundamente envolvido nessas atividades. Mas na verdade eu permaneço aparte de mim mesmo, desprovido do sentido do corpo e da mente, e assim testemunhando as atividades acontecerem à Mim. Pergunto-me se vocês notaram isso! Muitas pessoas estão relacionadas a mim de uma maneira ou de outra. Embora aparentemente eu tenha intimidade com elas, estou aparte delas. Quanto a mim, eu realizei completamente o que “eu sou”, e agora está absolutamente claro para mim o que e como “eu sou”. Mas o que essas pessoas pensam que “elas são”, apenas elas sabem. Elas presumem terem adquirido conhecimento, terem alcançado algum status espiritual superior ao das outras pessoas … e assim por diante. Isso está fadado a acontecer, pois eles ainda são escravos de suas mentes. No meu caso, isso não pode acontecer. Eu embebi totalmente o néctar dos pés do Senhor – a consciência.
Atualmente, todas as comunicações e funções acontecem por meio deste néctar – a consciência. E o que é esse meio? É o conhecimento “eu sou”. Ele é representado pelo Senhor Vishnu, o Deus mais elevado que recosta-se cheio de bem-aventurança no corpo da serpente, sheshashayi, e por isso é chamado de Sheshashayi-Bhagavan.
Bem, é bom ter conversas desse tipo, mas embeber e realizar a essência é muito difícil, de fato. Por que? Porque você acredita firmemente que você é o corpo e vive de acordo, enquanto alimenta desejos apaixonados de que você vai conquistar algo bom no mundo, e mais tarde algo ainda melhor. Essas expectativas estão baseadas primeiramente numa noção errônea de que você é o corpo. Essa identificação errada, entretanto, dissolve-se no néctar dos pés do Senhor, quando você se afunda na consciência e perde sua individualidade.
A dissolução da individualidade não é possível sem devoção ao mestre – guru-bhakti – que em outras palavras novamente é a consciência, o guru-charan-amrita. A permanência na consciência remove todos os problemas passados e futuros, e estabiliza a pessoa no presente – Aqui e Agora.
A consciência é o sentido de se estar ciente, “eu sou” sem palavras, e ela apareceu inconscientemente e sem ser solicitada. Ela é a força vital universal manifesta e, portanto, não pode ser individualística. Ela se estende dentro e fora, como o brilho de um diamante. Você vê um mundo de sonhos dentro de você e um mundo perceptível fora de você, previsto que a consciência prevalece. Do nível do corpo, você pode dizer dentro e fora do corpo, mas do ponto de vista da consciência, onde e o que é dentro e fora? Apenas no reino do sentido de estar ciente “eu sou” - a consciência – pode o mundo existir, e também que uma experiência pode existir.
Segure-se neste sentido de estar ciente “eu sou”, e a fonte do conhecimento irá nascer dentro de você, revelando o mistério do Universo; do seu corpo e psique; da interação dos cinco elementos, dos três gunas e prakriti-purusha; e de tudo mais. No processo dessa revelação, sua personalidade individualística confinada ao corpo se expandirá no universo manifestado, e será realizado que você permeia e abarca o cosmos todo como seu “corpo” apenas. Isso é conhecido como o “Puro Super-conhecimento” - shuddhavijnana.
Não obstante, mesmo no estado sublime shuddhavijnana, a mente se recusa a acreditar que ela é uma não-entidade. Mas conforme afundamos na consciência, desenvolvemos uma firme convicção de que o conhecimento “eu sou” - o sentido do seu ser – é a própria fonte do mundo. Esse conhecimento apenas faz você sentir que “você é” e que o mundo é. Na verdade, esse conhecimento manifesto, tendo ocupado e permeado o cosmos, reside em você como o conhecimento “você é”. Segure-se à esse conhecimento. Não tente dar-lhe um nome ou um título.
Agora chegando numa situação muito sutil: o que é isso em você que entende esse conhecimento “eu sou” - ou do seu ponto de vista “eu sou”, sem nome, título ou palavra? Afunde-se no cetro mais íntimo e testemunhe o conhecimento “eu sou” e apenas Seja. Essa é a “bênção do ser” - o swarupananda.
Você deriva prazer e felicidade através da ajuda de vários auxílios e processos externos. Alguns gostam de apreciar uma boa comida, alguns gostam de ver um filme, alguns ficam absorvidos na música … e assim por diante. Para todas essas apreciações alguns fatores externos são essenciais. Mas para residir na “bênção do ser”, absolutamente nenhuma ajuda externa é requerida. Para entender isso, tome o exemplo do sono profundo. Uma vez que você está em sono profundo, nenhuma ajuda ou tratamento são requeridos e você aprecia uma felicidade silenciosa. Por que? Porque nesse estado a identidade com um corpo masculino ou feminino é esquecida totalmente.
Alguns visitantes me perguntam, “Por favor mostre-nos o caminho que nos levará à Realidade”. Como eu poderia? Todos os caminhos levam à irrealidade. Caminhos são criações dentro do escopo do conhecimento. Portanto, caminhos e movimentos não podem te transportar para a Realidade, pois a função deles é enredar você dentro da dimensão do conhecimento, enquanto que a Realidade prevalece antes dessa dimensão. Para compreender isso, você deve fixar-se na fonte da sua criação, no início do conhecimento “eu sou”. Enquanto você não atingir isso, você estará enrolado nas correntes forjadas por sua mente e ficará enredado nas correntes das outras pessoas. Portanto, eu repito, você estabiliza-se na fonte do seu ser e então todas as correntes irão se romper e você será liberado. Você irá transcende o tempo, com o resultado que você estará além dos tentáculos dele e prevalecerá na Eternidade. E esse estado sublime pode ser atingido apenas ao beber incessantemente o néctar dos pés sagrados do guru – o guru-charan-amrita. Esse estado de beatitude extática – o ser afundando-se abençoadamente no Ser. Esse êxtase está além das palavras; ele é também o estado de estar ciente em total quietude.
A quintessência do discurso está clara. Sua posse mais importante é o “conhecimento” que “você é” anterior à emanação da mente. Segure-se nesse “conhecimento” e medite. Nada é superior a isso, nem mesmo a devoção ao guru – guru bakti – ou a devoção a Deus – Iswara bhakti.
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28 de janeiro de 1980

Maharaj: Visto da terra, o sol parece nascer e se pôr. Mas do ponto de vista do sol, ele brilha continuamente e não tem conhecimento de nascer e se pôr. Enquanto o sentido de ser e sua manifestação, incluindo as atividades dentro dela, são temporárias e limitadas ao tempo, aquilo que é anterior ao sentido de ser é eterno. Você é um estudante do Bhagavad-gita; o que eu digo, está de acordo com o Gita?

Visitante: Após escutar seus discursos pude compreender claramente o décimo quinto capítulo do Gita, onde é feito uma menção do Purushottama.

M: Purushottama é o Absoluto, o Eterno. Ao mesmo tempo que o Absoluto é sem nenhum suporte externo, sendo totalmente auto-suficiente, ele em si é o suporte de todas as coisas manifestas.

V: Krishna disse: “Apenas aqueles que compreendem que Eu, o Absoluto, estou além dos estados de Ser e de não-Ser realizam minha verdadeira natureza, e todos os outros são tolos.”

M: Aqueles que são criados de uma ação estúpida também são estúpidos.

V: O que quer que um Jnani fala, é conhecimento espiritual e mesmo seu comportamento revela conhecimento.

M: Na verdade, todo nosso comportamento é de qualidade sattva-guna, expressado da essência da comida, e não é nem seu nem meu. O sattva-guna tem três estados, vigília, sono profundo e sentido de ser (beingness). Quando o conhecimento é entendido corretamente a pessoa é puro Brahman apenas, embora tenha a forma de um corpo. Não tem modificação mental. Isso é o que Krishna disse.

O corpo é um produto da essência da comida. Todas as plantas, raízes, árvores, animais, etc., são criados de sementes, e uma semente (bija) significa recriar uma forma prévia. Uma semente também é um produto do sattva-guna. De uma semente brota uma planta e depois uma grande árvore, mas a fonte é a semente apenas. Também de uma semente humana, a qual é o produto dos três gunas (sattvas, rajas e tamas) e a essência da comida, brota o corpo, o sentido de ser e a manifestação. Isso pode ser percebido apenas por um ser humano.

Tendo entendido isso, eu realizei Brahman embora tendo a forma de um corpo. Raramente, alguém embebe esta sabedoria. Muitos adquirem o assim chamado 'conhecimento', mas o que quer que seja adquirido não é conhecimento verdadeiro.

V: O sentido de ser, ou o conhecimento “eu sou”, é então o conhecimento verdadeiro final?

M: Esse verdadeiro conhecimento, o conhecimento "eu sou", também é rendido ao status de não-conhecimento no estado Absoluto final. Quando a pessoa está estabelecida em seu estado final livre, o conhecimento 'eu sou' torna-se “não-conhecimento”.

Quando você vê uma árvore florida você olha apenas para a folhagem, mas não pensa na raiz e na semente da qual ela brotou. Ao menos que você entenda a semente também, não haverá compreensão total. No presente momento você entende a si como sendo um corpo, mas você não inclui no entendimento a fonte e a semente da qual este corpo manifestou-se. Uma pontinha de uma caneta tinteiro molhada com tinta escreve volume atrás de volume. A pontinha da caneta é a fonte de todos os escritos. Similarmente, o seu sentido de ser é a fonte e o início do seu mundo inteiro. O material escrito é facilmente observado e lido, mas a fonte dele – a ponta da caneta, que é quase sem dimensão – não é percebida facilmente. Assim também é a “semente-sentido de ser”, que é sem forma, muito elusiva.

Você não identifica-se com o seu sentido de ser, mas você é rápido em identificar-se com a forma visível do seu corpo. Você refere-se à forma como “eu” em vez do sentido de ser. Entretanto, para a sustentação do sentido de ser um corpo é essencial. Mesmo se o Senhor Krishna fosse reincarnar novamente, ele poderia fazer isso apenas com o intermédio da semente-sentido de ser, que por sua vez seria um produto de um corpo proveniente da essência da comida. (food-essence body) Não apenas Krishna, mas também Cristo e Buda manifestam apenas através do sentido de ser da essência-comida. Mas você sabe o significado de Buda, o bodhisattva?

V: Buda significa a natureza inata de todos nós.

M: E quando você foi iniciado, qual foi a forma da iniciação e no que você foi iniciado?

V: Fui levado para a ordem dos Santos Sangh, como um monge, que trabalhava para a felicidade total...

M: Não me diga tudo isso. Disha (iniciação) significa “apenas seja”, de maneira alerta “Seja o que você é”. Qual concelho foi lhe dado na época da sua iniciação?

V: Para observar meu corpo-mente.

M: De que ponto de vista, ou identidade, você observou?

V: Não observei meu corpo de nenhum ponto de vista, Havia apenas a observação.

M: Quando você não conhece a si mesmo, então quem está observando? E como isso acontece?

V: O objeto da minha observação surge no observador. Através do objeto constituído pelo pensamento – emoção e copro, há um sentido de ser. Eu podia observar esse sentido de ser. Vi muito claramente que não há nada de substancial dentro deste processo corpo-mente.

M: Como foi-lhe pedido para estar alerta na época da sua iniciação?

V: O tempo todo.

M: Mas com que identidade você deveria estar alerta?

V: Eles não me falaram a respeito de nenhuma identidade. Falaram para eu ficar apenas alerta.

M: Para quem eles disseram? Eles não deveriam indicar o que a testemunha deveria parecer?

V: Não.

M: Esse é um tipo inferior de iniciação. Primeiro reconheça o princípio residente, o conhecimento “eu sou” ou o “auto-amor real”, que está testemunhando. O testemunhar acontece para esse princípio. Quando existe dor, espontaneamente eu testemunho a dor que estou experimentando.

V: Parece haver um sentido de separação entre eu mesmo e o objeto que está sendo testemunhado. Então quando eu testemunho …

M: Mas quando você testemunha?

V: Quando testemunho o corpo-mente, sinto estar separado do corpo-mente.

M: Para quem o testemunho acontece?

V: Isso eu não sei.

M: Então que tipo de espiritualidade você pratica?

V: Embora eu use um roupão, não sigo nenhuma avenida particular de espiritualidade ou nenhuma ordem. Apenas tento estar ciente de que eu sou.

M: Para todos os seres é a mesma experiência. De manhã cedo, imediatamente após acordar, apenas o sentimento “eu sou” é sentido dentro ou o sentido de ser acontece, e depois acontece o testemunho seguinte de todas as coisas. O primeiro testemunho é aquele do “eu sou “. Esse testemunho primário é o pré-requisito para todos os outros testemunhos. Mas para quem o processo de testemunhar está acontecendo? Para aquele que sempre é, mesmo sem acordar; o testemunho do estado desperto acontece para aquele substrato sempre-presente. O mistério da experiência do mundo está neste ponto. O conhecimento esotérico da 'semente-sentido de ser' também está aqui. Agora você acordou, e o testemunho do despertar acontece. O testemunho primário é da minha própria presença, da minha existência. Esse estado desperto, ou o sentido de existência, é um estado temporário, sendo um dos três estados – de sono profundo, vigília e sentido de estar ciente que juntos constituem o sentido de ser (beingness). Esse sentido de ser é como aquela qualidade da pontinha molhada da caneta. O agregado desses três é a energia sutil representada pelos princípios masculino e feminino, chamado purushaprakriti. Nesse sentido de ser, o sattva-guna, é o visva-sutra, brahma-sutra, atma-sutra*. Nesse sentido de ser reside a manifestação universal. Esse sattva-guna é o cordão pelo qual Brahman e o universo manifesto estão amarrados.

V: Uma pergunta que eu gostaria de ….

M: Que perguntas você poderia ter sobre esse assunto?

O próprio foco dessa pontinha da caneta molhada assumiu múltiplas formas. Esse sentido de ser é conhecido como sattva-shakti e prakriti-purushashakti. O sattva-guna que deu origem a esse sentido de ser é o produto da essência dos pais que pertence à espécie do vachaspati*. Essa própria essência assumiu forma, e o universo é revelado em seu interior e exterior. Entenda claramente a fonte. É como uma pequenina semente de uma árvore banyan crescendo numa magnífica árvore e ocupando um grande espaço; mas quem é esse que ocupa o espaço? É o poder da pequena semente. Similarmente, entenda que é essa emissão quintessencial dos pais que leva o toque o “sentido de eu sou”, que se manifesta-se num universo. Portanto, vá nessa fonte e entenda-a completamente. Assim como a semente carrega a forma latente da planta, também a semente dos pais carrega a forma latente do masculino ou feminino na imagem dos pais.

Pai e mãe são também uma expressão do sattva-guna, o princípio quintessencial apenas. Como um resultado da fricção, a emissão aconteceu. Essa emissão tendo tirado a foto dos pais, cresce numa criança na imagem dos pais. Antes do seu nascimento, onde estava o seu sentido de ser repousando dormente? Ele não era a quintessência dos pais? Esse não é o eterno drama da reprodução de toda as espécies através do princípio sattva e a energia denotada por purushaprakriti?

V: Esse toque de “sentido de eu sou” em si não é nada pessoal; ele é pessoal apenas quando ligado com o corpo e mente.

M: Esse toque de “sentido de eu sou” é o manifesto apenas, e não é individualista.

V: Você falou sobre o estado do “Eu-amor”. Se eu digo que amo alguém, significa realmente o “sentido de eu sou” daqui deste ponto reconhecendo o “sentido de eu sou” naquele outro ponto.

M: Não existe 'outro' de maneira nenhuma com quem fazer amor. Apenas o “amor de ser” brotou. Para sustentar o estado de “amor por ser” você passa por uma porção de dificuldades e adversidades. Apenas para manter o estado agradado e satisfeito, você se envolve em tantas atividades.

V: O sofrimento é direcionar a atenção para algo além do estado “Eu-amor”, mas se tudo isso pretende perpetuar o “sentido de eu sou”, não é um desejo?

M: Isso não é desejo, é a própria natureza de ser do “sentido de eu sou”. O sentido de ser quer ser e quer perpetuar-se. Essa é sua própria natureza; isso não é a natureza do individuo.

V: Mesmo quando ele está ligado com o corpo-mente?

M: Um número de mentes e corpos são formados desse princípio. Ele é a fonte da criação. Milhões de espécies são criadas desse princípio básico. Ele é moolamaya, a semente-ilusão.

V: O “eu sou” está criando você?

M: Do meu 'sentido de ser' (beinness) são criados os três mundos. No meu mundo de sonho milhões de vermes, seres humanos, etc. são criados. Quando e da onde esse mundo-sonho emergiu? Ele emergiu do aparente despertar no estado de sonho.

V: Se eu fecho meus olhos, isso significa que você não existe?

M: Quem te falou que seus olhos estão fechados?

V: Meu “sentido de eu sou”.

M: Quando você fechou seus olhos a consciência também foi fechada?

V: Não.

M: Como um resultado da união do amor dos objetos encarnados chamados pais, você é o lembrete que você é a criação resultante do momento bem-aventurado deles. A memória “eu sou”, lembra do momento bem-aventurado. Esta forma, a pessoa encarnada, é um lembrete da bem-aventurança. Você coletou um monte de conhecimento, e você considera-se pronto para ser um guru e então você irá expor o conhecimento – isto é, o conhecimento coletado, e não o conhecimento revelado de você próprio. O conhecimento não foi totalmente revelado a vocês, vocês não realizaram a si mesmos, e portanto serão pseudo-gurus. Sua existência estava numa condição dormente no seu pai e sua mãe. Agora você quer prosseguir para algum lugar daqui. De onde você surgiu? Vá para a fonte da qual você emergiu. Esteja lá primeiro. Alguém teve a diversão da bem-aventurança e Eu sofro e choro por uma centena de anos.

V: É correto comparar o “sentido de eu sou” (I-am-ness) à uma sala com duas portas? De um lado você vê o mundo, e do outro você percebe Parabrahman.

M: Não existem portas para Parabrahman, filho querido. Olhe para a porta de onde você emergiu. Antes de emergir daquela porta, como e onde estava você? Você pode colocar perguntas relacionadas a esse assunto.

V: Há amor e sofrimento também, neste “eu sou”.

M: A causa é a felicidade, e o resultado é o “sentido de eu sou”. A causa é bem-aventurança, mas o resultado tem que sofrer do início até o fim.

V: Naquele momento passageiro há consciência do amor e do sofrimento simultaneamente?

M: Tudo aquilo que prevalece no cosmos no momento do amor é registrado no resultado; e, acidentalmente, o resultado assume uma forma, ele é uma réplica dos pais. Seu nascimento significa um filme do universo naquele período. Não é meramente um nascimento, está carregado com o universo dentro e fora.

V: Uma vez que você nasce, a consciência é contínua, mas na meditação ela vem e vai.

M: O sentido de ser é contínuo e ele conhece a si mesmo apenas com o auxílio de uma forma, do corpo, enquanto que sem isso (ou seja, no estado absoluto), ele não conhece a si mesmo . Quem é a testemunha das idas e vindas da consciência?

V: Apenas a ciência (awareness).

M: O que você diz está correto num sentido, mas na verdade não é assim. É como dizer que eu prometo te dar dez mil rúpias, mas … A ciência (estado de estar ciente) é o estado Parabrahma, mas isso é apenas uma palavra; você tem que residir nesse estado. Atualmente, o “eu sou” está no estado do sentido de ser. Mas quando eu não tenho a consciência da ilusão “eu sou”, então o estado Poornabrahman ou Parabrahman prevalece. Na ausênsia do toque do “sentido de eu sou”, sou o total estado completo Poornabrahman, o estado permanente.

A fronteira do sentido de ser e do sentido de não-ser é uma hesitação do intelecto, pois o intelecto afasta-se de vista precisamente naquele ponto. Essa fronteira é o maha-yoga.

Na frase “você e eu”, uma vez que a conjunção 'e' é removida, não existe dualidade – isto é, não há separação de “você” e “eu”. Similarmente, esse sentido de ser é como a conjunção: quando ele é removido, nenhuma dualidade permanece. Você deve ficar naquela fronteira, naquele estado maha-yoga."

Agradecemos o Blog Portal do Conhecimento, onde essa tradução foi encontrada.



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Um comentário:

Mistérios, Magias ou Milagres. disse...

Quero agradecer pela maravilhosa postagem sobre o Néctar da Imortalidade. Realmente é uma fonte de brilho e inteligência. Abraços Heudes

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