Blog da Editora Advaita com textos de dialogos com Sri Nisargadatta Maharaj e outros Mestres como Sri Ramana Maharshi, Jean Klein, Ramesh Balsekar, Tony Parsons, Karl Renz e outros. Não-dualidade. Para encomendar o livro "Eu Sou Aquilo" Tat Twam Asi - Conversações com Sri Nisargadatta Maharaj" escrever para editora.advaita@gmail.com

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Meu ‘eu’ quer desaparecer





P: Por que eu nasci?

K: Por que não? A existência está em completa concordância com o fato de que você é e do modo que você é. Isto é perfeito.
Nenhum significado é necessário.
A busca por significado surge apenas com a ideia de um ‘eu’.

P: Tudo bem, mas faço esta pergunta.

K: O ‘eu’ é um conceito. Ele deseja relevância. Ele coloca uma pergunta que quer que seja satisfeita e dissolvida por uma resposta.
Mas, então, imediatamente, surge a próxima pergunta.
Realmente, é sempre a mesma pergunta: “Por que eu existo?”
Este é o gancho do ‘eu’.
Para justificar sua existência, ele tem que achar uma razão para estar vivo.
Ele tenta desesperadamente provar que existe, mas não pode achar a evidência.
É por isto que ele sempre tem uma nova pergunta e é por isto que nenhuma resposta será suficiente.
Assim, não interessa se a pergunta é respondida ou não. Há apenas uma resposta para a pergunta “Por quê?”
Esta é “Por que não?”

P: O ‘eu’ não tem qualquer valor, seja qual for?

K: Valioso ou sem valor, ele prova a sua existência vendo-se como inútil: “Pobre pequeno eu, inadequado eu!”
A principal coisa que ele deseja é provar sua própria existência.
Se a inferioridade é útil como prova, então ele é prazerosamente inferior, pobre e patético. O ‘eu’ conhece todos os truques para sobreviver no mundo.
É como um homem vacilante. Você pode bater nele mais de mil vezes, mas ele sempre surge novamente. Mesmo se ele pudesse permanecer deitado, ao menos existiria. A ilusão de um ‘eu’, o qual repetidamente aparece em uma pergunta, permanece invencível!

P: A vida deve ser bela quando esta pergunta é respondida de uma vez por todas!

K: Você quer dizer que a existência não precisa ser questionada para ser feliz? Talvez ela seja tão feliz fazendo perguntas como não as fazendo.
“Se isto ou aquilo não estava ali...se eu tivesse me libertado disto ou daquilo...”
Tudo isto é meramente as ideias do ‘eu’. A existência não pode ser perturbada.
Não precisa libertar-se de nada.
Mas a ideia do ‘eu’, em algum ponto, experimenta-se como perturbadora e, então, tenta eliminar todas as perturbações, incluindo ela mesma. 

P: Sim, é como eu sinto.

K: O ‘eu’ o faz acreditar que tem de desaparecer.

P: Exatamente!

K: Porque se você acredita nisto ele continua a existir por mais tempo, sem perturbações.

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