Blog da Editora Advaita com textos de dialogos com Sri Nisargadatta Maharaj e outros Mestres como Sri Ramana Maharshi, Jean Klein, Ramesh Balsekar, Tony Parsons, Karl Renz e outros. Não-dualidade. Para encomendar o livro "Eu Sou Aquilo" Tat Twam Asi - Conversações com Sri Nisargadatta Maharaj" escrever para editora.advaita@gmail.com

quarta-feira, 4 de março de 2015

‘Eu’ e ‘Meu’ são Ideias Falsas








Pergunta: Estou muito apegado a minha família e minhas posses. Como posso dominar este apego?

Maharaj: Este apego nasce junto com o sentido de ‘eu’ e ‘meu’. Ache o verdadeiro significado destas palavras e se libertará de toda escravidão. Você tem uma mente que está estendida no tempo. Uma após outra, ocorrem-lhe todas as coisas, e a recordação permanece. Não há nada de errado nisto. O problema surge apenas quando a recordação das dores e dos prazeres passados – que são essenciais para toda vida orgânica – permanece como um reflexo, dominando o comportamento. Este reflexo toma a forma do ‘eu’ e usa o corpo e a mente para seus propósitos, os quais, invariavelmente, consistem em buscar o prazer ou fugir da dor. Quando reconhecer o ‘eu’ tal como é, um feixe de temores e desejos, e o sentido do ‘meu’ como algo que abrange todas as coisas e pessoas necessárias para o propósito de evitar a dor e assegurar o prazer, você verá que ‘eu’ e ‘meu’ são ideias falsas, não fundamentadas na realidade. Criados pela mente, governam seu criador enquanto este os toma como verdadeiros; quando questionados, dissolvem-se.

O ‘eu’ e o ‘meu’, tendo nenhuma existência neles mesmos, necessitam do suporte que é encontrado no corpo. O corpo se converte em um ponto de referência. Quando você fala de ‘meu’ esposo e de ‘meus’ filhos, quer dizer esposo do corpo e filhos do corpo. Abandone a ideia de ser o corpo e encare a pergunta: Quem sou eu? Imediatamente será posto em marcha o processo que trará de volta a realidade, ou melhor, que levará a mente à realidade. Só não deve ter medo.

P: De que devo ter medo?

M: Para que a realidade seja, as ideias de ‘eu’ e ‘meu’ deverão desaparecer. Elas desaparecerão se você permitir. Então seu estado normal e natural reaparece; nele você não é nem o corpo nem a mente, nem o ‘eu’ nem o ‘meu’, mas está num estado totalmente diferente de ser. É a pura Consciência de ser, sem ser isso ou aquilo, sem qualquer autoidentificação com nada em particular ou em geral. Nesta pura luz da consciência não há nada, nem sequer a ideia de nada. Há apenas luz.

P: Há pessoas a quem amo. Eu devo abandoná-las?

M: Apenas desista de possui-las. O resto depende delas. Elas podem perder o interesse em você ou não.

P: Como poderiam? Não me pertencem?

M: Pertencem ao seu corpo, não a você. Ou melhor, não há ninguém que não pertença a você.

P: E quanto às minhas posses?

M: Quando o ‘meu’ não existe mais, onde estão suas posses?

P: Por favor, diga-me, devo perder tudo ao perder o ‘eu’?

M: Pode ser que sim ou que não. Para você, será tudo a mesma coisa. Sua perda será o ganho de outro. Você não vai se importar.

P: Se não me importar, perderei tudo!

M: Uma vez sem nada, você não tem problemas.

P: Permanecerei com o problema da sobrevivência.

M: É problema do corpo e o resolverá comendo, bebendo e dormindo. Há bastante para todos, desde que todos compartilhem.

P: Nossa sociedade está baseada em apropriar-se de coisas, não em compartilhar.

M: Por compartilhar, você a mudará.

P: Não sinto que queira compartilhar. De qualquer modo, estou sendo tributado além de minhas posses.

M: Isto não é o mesmo que compartilhar voluntariamente. A sociedade não mudará mediante a compulsão. Requer uma mudança de coração. Compreenda que nada é seu, que tudo pertence a todos. Só então a sociedade mudará.

P: A compreensão de um único homem não levará o mundo mais longe.

M: O mundo em que você vive será afetado profundamente. Será um mundo sadio e feliz, que irradiará e comunicará, aumentará e se estenderá. O poder do coração verdadeiro é imenso.

P: Por favor, fale-nos mais.

M: Falar não é meu passatempo predileto. Às vezes falo, outras não. Meu falar, ou não falar, é uma parte de uma dada situação e não depende de mim. Quando há uma situação em que devo falar, ouço-me falando. Em alguma outra situação, pode ser que não me ouça falando. Para mim, tudo é igual. Fale ou não, a luz e o amor de ser o que sou não são afetados, nem estão sob meu controle. Eles são e sei que são. Há uma Consciência alegre, mas não alguém que esteja alegre. Certamente, há um sentido de identidade, mas é a identidade de um vestígio de memória, como a identidade de uma sequência de imagens na tela sempre presente. Sem a luz e a tela não pode haver imagem. Conhecer a imagem como o jogo da luz sobre a tela libera da ideia de que a imagem é real. Tudo o que deve fazer é compreender que você ama o self e o self o ama, e que o sentido ‘eu sou’ é a conexão entre ambos, um sinal de identidade, apesar da aparente diversidade. Olhe para o ‘eu sou’ como um sinal de amor entre o interno e o externo, o real e o aparente. Do mesmo modo que em um sonho tudo é diferente, exceto o sentido de ‘eu’ que lhe permite dizer ‘eu sonhei’, assim o sentido de ‘eu sou’ lhe permite dizer ‘Eu sou meu Ser real novamente. Não faço nada, nem nada fazem a mim. Eu sou o que sou e nada pode afetar-me. Parece que eu dependo de tudo, mas, de fato, tudo depende de mim’.

P: Como posso dizer que você não faz nada? Não está falando para mim?

M: Não tenho o sentimento de que estou falando. A conversa está acontecendo, isto é tudo.

P: Eu falo.

M: Você fala? Você se ouve falando e diz: Eu falo.

P: Todos dizem: ‘Eu trabalho, eu chego, eu vou’.

M: Não tenho objeção às convenções de sua linguagem, mas elas distorcem e destroem a realidade. Um modo mais exato de dizer seria: ‘Há conversa, trabalho, chegadas e partidas’. Para que algo aconteça, todo o universo deve coincidir. É incorreto crer que algo em particular possa causar um evento. Cada causa é universal. Seu próprio corpo não existiria sem o universo inteiro contribuindo para sua criação e sobrevivência. Sou totalmente consciente de que as coisas acontecem como acontecem porque o mundo é como é. Para afetar o curso dos eventos, devo introduzir um fator novo no mundo, e tal fator só pode ser eu mesmo, o poder do amor e da compreensão enfocados em mim.

Quando o corpo nasce, ocorre-lhe todo tipo de coisas e você toma parte nelas porque toma a si mesmo pelo corpo. Você é como o homem no cinema, rindo e chorando com as imagens, embora saiba perfeitamente bem que está todo o tempo sentado em sua poltrona, e que o filme é só o jogo de luz. Basta desviar a atenção da tela para si mesmo para romper o encanto. Quando o corpo morre, o tipo de vida que você leva agora – uma sucessão de fatos físicos e mentais – acaba. Pode mesmo acabar agora – sem esperar a morte do corpo –, basta desviar a atenção para o Eu e mantê-la lá. Tudo acontece como se houvesse um poder misterioso que cria e move todas as coisas. Compreenda que você não é o que move, só o observador, e você estará em paz.

P: Este poder está separado de mim?

M: Claro que não. Mas você deve começar sendo o observador desapaixonado. Só então compreenderá seu pleno ser como o amante e o ator universais. Enquanto estiver enredado nas tribulações de uma personalidade particular, não pode ver nada além dela. Mas, finalmente, você chegará a ver que não é nem o particular nem o universal, que você está além de ambos. Como a minúscula ponta do lápis que pode traçar inúmeras imagens, assim também o ponto sem dimensão da Consciência traça os conteúdos do vasto universo. Encontre esse ponto e seja livre.

P: De que criei este mundo?

M: De suas próprias recordações. Enquanto ignorar-se a si mesmo como criador, seu mundo será limitado e repetitivo. Uma vez que você vá além da autoidentificação com o passado, é livre para criar um mundo de harmonia e beleza. Ou você simplesmente permanece – além do ser e do não ser.

P: O que me restará se abandono minhas recordações?

M: Não restará nada.

P: Tenho medo.

M: Você terá medo até que experimente a liberdade e suas bênçãos. Certamente, algumas recordações são necessárias para identificar e guiar o corpo, e tais recordações permanecem, mas não resta apego em relação ao corpo como tal; ele já não é mais a base do desejo e do temor. Tudo isto não é muito difícil de entender e praticar, mas você deve estar interessado. Sem interesse, nada pode ser feito.

Tendo visto que você é um feixe de recordações unido pelo apego, saia e olhe-o de fora. Você pode perceber pela primeira vez algo que não é memória. Você cessa de ser o Sr. Fulano de Tal, ocupado com seus próprios assuntos. Finalmente, você está em paz. Você compreende que nunca houve nada errado com o mundo – só você estava enganado e, agora, tudo acabou. Nunca mais você será pego nas malhas do desejo nascido da ignorância.



  

6 comentários:

Tom de Aquino disse...

É incrível como há um consenso na direção que os acordados apontam. Suas terminologias são muitas vezes influenciadas pela cultura onde "nasceram" mas o seu apontar é único. Seja Jesus, Ramana, Siddharta, Mestre Gualberto, Lao Tze, entre outro, percebemos que todos eles já não existem mais como pessoas, mas são uma expressão direta da fonte, e alguns chamam essa fonte de Deus, outros de Tão, Consciência, Presença, Vazio, etc... Não importa a palavra, o que importa é de onde ela surge, do silêncio ou da tagarelice mental?

Grato a Editora Advaita por tornar acessível aos buscadores que não falam inglês textos e livros maravilhosos em português.

Carolina disse...

Boa tarde,

Gostaria de saber se tem o livro "Eu Sou Aquilo" e se teriam a possibilidade para Portugal.

Cumprimentos,
Carolina Leal

Anônimo disse...

Mestre Gualberto?

Templo disse...

Excelente texto!

ahmed disse...


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