Blog da Editora Advaita com textos de dialogos com Sri Nisargadatta Maharaj e outros Mestres como Sri Ramana Maharshi, Jean Klein, Ramesh Balsekar, Tony Parsons, Karl Renz e outros. Não-dualidade. Para encomendar o livro "Eu Sou Aquilo" Tat Twam Asi - Conversações com Sri Nisargadatta Maharaj" escrever para editora.advaita@gmail.com

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A Consciência é tudo que existe (Ramesh S. Balsekar)



Ramesh: No que diz respeito ao “Eu Sou”, não faz diferença se há a manifestação ou não. A manifestação veio do Eu Sou. O funcionamento da manifestação está no Eu Sou. É como o reflexo num espelho. Então o que você aceita, é que o que quer que aconteça é meramente um reflexo no Eu Sou. Toda a manifestação é um reflexo na Fonte – de outro modo, haveriam dois.

Peter: Portanto, não pode ser um reflexo da fonte, é um reflexo na Fonte?

Ramesh: Apenas pode ser na Fonte. Tudo isto é um reflexo na Fonte porque a Fonte é tudo que existe. Portanto, para qualquer coisa que acontece, você escolhe um conceito. Você não pode ficar sem conceitos, senão você teria que ficar em silêncio. E se a questão “Quem sou eu?” surge, esse é o primeiro pensamento de todos que precisa de uma resposta. A resposta é um conceito, um conceito sendo algo que aponta para a Verdade. O valor ou a utilidade de um conceito está apenas no quanto ele aponta para a Verdade. Você vê? E esse conceito – que a totalidade da manifestação e o funcionamento desta manifestação é um reflexo na Fonte – é um apontador para a Verdade, a qual é a Fonte.

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“Assim como a superfície de um espelho existe dentro e fora da imagem refletida no espelho, também o Ser supremo existe tanto dentro quanto fora do corpo físico.” (Ashtavakra)

Ramesh: Nesse verso importante, Ashtavakra aponta que o que nós somos como sujeitos definidamente não é uma coisa ou um objeto, que o pronome pessoal inevitavelmente sugere, mas mais um processo ou um pano de fundo, como a tela na qual um filme é visto. Na ausência de um pano de fundo não poderia haver nenhuma aparência de modo algum, embora no caso da manifestação fenomenal, o próprio “pano de fundo” - a Consciência – constitui a aparência e é responsável por ela. O ponto é que a menos que houver um total “afastamento” para a impessoalidade, a consideração “quem ou o que sou eu?” pode significar de fato uma transferência simples de mais - do objeto para o sujeito (da fenomenalidade para a não-fenomelalidade / do manifesto para o não-manifesto). Isso não teria força suficiente para quebrar o condicionamento trazido pela noção de identidade que conduz à suposta limitação. É apenas um afastamento direto para a impessoalidade que é mais provável de trazer a alarmante transformação conhecida como metanoesis, onde há uma convicção repentina e imediata de que a identificação com uma entidade individual separada, na verdade, nunca existiu realmente e era essencialmente nada além de uma ilusão.

Talvez seja por essa razão que Ashtavakra sugere a analogia do espelho para a Consciência, a qual reflete tudo, não retém nada, e em Si mesma não tem existência perceptível. Isto é, a Consciência é o pano de fundo do que parecemos ser como objetos (fenômenos), e ainda ela não é algo objetivo (um objeto). Assim como um reflexo no espelho é uma mera aparência sem nenhuma existência, e o espelho é o que tem existência mas não é afetado de maneira nenhuma pelo que está refletido, assim também o aparato psicossomático (o organismo corpo-mente), sendo apenas uma aparência na Consciência, não tem existência independente. A Consciência na qual ele aparece não é afetada de forma nenhuma pela aparência dos objetos nela.

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Ramesh: A Fonte, que criou esta manifestação dentro de Si como um reflexo, está fazendo esta manifestação funcionar. Portanto, a manifestação e seu funcionamento, os quais chamamos de vida – toda ela é um reflexo na Fonte.
Primeiro há a Fonte. A Fonte cria um reflexo. O reflexo é o Eu Sou. Agora, Ramana Maharshi diz que a Fonte é o “Eu-Eu”. Ele A nomeia de “Eu-Eu” meramente para distingui-la do Eu Sou. O “Eu-Eu” é a Energia latente (potencial). A Energia Potencial torna-se ativa na forma de manifestação como o Eu Sou, e torna-se ciente da manifestação. O Eu Sou é a Consciência (awareness) impessoal da manifestação e do seu funcionamento. Então, para o funcionamento da manifestação acontecer, a Fonte – ou Deus, ou o Eu Sou – cria estes organismos corpo-mente e por conseguinte “eu's” individuais, ao identificar a Si mesma com esses organismos corpo-mente. Portanto, a Energia Universal, a Energia Potencial, torna-se ativa nesta manifestação. O “Eu-Eu” ao sair do estado latente, torna-se o Eu Sou, e o Eu Sou torna-se o eu sou Markus. Por que o Eu Sou torna-se Markus? Porque sem o Markus e os outros bilhões de nomes, a vida como conhecemos não aconteceria.
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Então, a manifestação é real? Ela é real e irreal. A questão – a manifestação é real ou não? Está errada. A manifestação é tanto real quanto irreal: real na medida que ela pode ser observada, irreal com base que ela não tem existência independente própria dela sem a Consciência. Desse modo, a única coisa que tem existência independente dela própria é a Realidade, e essa Realidade é a Consciência. A Consciência é a única Realidade. Todo o resto é um reflexo dessa Realidade dentro de Si mesma.

Tradução por Ricardo Melito.
Texto extraído de Portal do Conhecimento Divino


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