Blog da Editora Advaita com textos de dialogos com Sri Nisargadatta Maharaj e outros Mestres como Sri Ramana Maharshi, Jean Klein, Ramesh Balsekar, Tony Parsons, Karl Renz e outros. Não-dualidade. Para encomendar o livro "Eu Sou Aquilo" Tat Twam Asi - Conversações com Sri Nisargadatta Maharaj" escrever para editora.advaita@gmail.com

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A consciência, o único ‘capital’





Maharaj freqüentemente aparece com a declaração de que a consciência seria o único ‘capital’ com o qual nasce um ser consciente. Isto, ele diz, é apenas a situação aparente. A situação real, contudo, é que o que nasce é a consciência, a qual necessita de um organismo para manifestar-se, e que este organismo é o corpo físico.
          O que dá sensibilidade – capacidade para sentir sensações, para responder a estímulos – ao ser consciente? O que distingue uma pessoa que está viva daquela que está morta? Seria, certamente, o sentido de ser, o conhecimento de estar presente, consciência, o espírito vitalizador que anima a estrutura física do corpo.
          É a consciência, sem dúvida, que se manifesta em formas individuais e dá a elas uma existência aparente. No ser humano, através de tal manifestação, surge o conceito de um eu separado. Em cada indivíduo, o Absoluto se reflete como Consciência, e, assim, a Consciência pura torna-se Consciência de si mesma, ou consciência.
          O universo objetivo é um fluxo contínuo, constantemente projetando e dissolvendo inumeráveis formas. Sempre que uma forma é criada e a vida é infundida (Prana), a consciência (Chetana) surgirá, simultânea e automaticamente, pela reflexão da Consciência Absoluta na matéria. A consciência – isto deve ser claramente entendido – é um reflexo do Absoluto na superfície da matéria, produzindo um sentido de dualidade. Como diferente disto, a Consciência, o estado Absoluto, é sem início e fim, sem a necessidade de qualquer apoio a não ser ela mesma. A Consciência torna-se consciência apenas quando tem um objeto sobre o qual refletir-se. Entre a pura Consciência e a Consciência refletida como consciência, diz Maharaj, há um intervalo que a mente não pode cruzar. O reflexo do sol na gota de orvalho não é o sol!
          A conciência manifesta é limitada pelo tempo, visto que desaparece logo que a estrutura física que habita chega ao fim. Todavia, de acordo com Maharaj, ela é o único ‘capital’ com o qual nasce um ser sensível. E a consciência manifesta, sendo sua única conexão com o Absoluto, torna-se o único instrumento pelo qual o ser sensível poderá esperar obter uma liberação ilusória do ‘indivíduo’ que acredita ser. Sendo um com sua consciência e tratando-a como seu Atma, seu Deus,  ele poderá conquistar  o que considera inacessível.
          Qual a real substância desta consciência desperta? Obviamente, deve ser a matéria física, pois, na ausência da forma física, não poderá sobreviver. A consciência manifesta pode existir apenas enquanto sua residência, o corpo, for mantida sadia e em condição habitável. Embora a consciência seja um reflexo do Absoluto, ela é limitada pelo tempo e pode ser sustentada apenas pelo alimento material, incluindo os cinco elementos, o que o corpo físico é. A consciência reside em um corpo saudável e o abandona quando ele decai e está pronto para morrer. O reflexo do sol pode ser visto apenas em uma gota de orvalho limpa, não em uma enlameada.
          Maharaj diz freqüentemente que nós podemos observar a natureza e funcionamento da consciência em nossa rotina diária de sono, sonho e vigília. No sono profundo, a consciência se retira para um estado de repouso, por assim dizer. Quando a consciência está ausente, não há nenhum sentido de existência ou presença de si mesmo, e menos ainda a existência do mundo e seus habitantes, ou de alguma idéia de escravidão ou liberação. Isto é assim porque o próprio conceito de “eu” está ausente. No estado de sonho, uma partícula de consciência começa a agitar-se – não se está ainda plenamente acordado – e então, em uma fração de segundo, naquela partícula de consciência, é criado um mundo inteiro de montanhas e vales, rios e lagos, cidades e vilas, com construções e pessoas de várias idades, incluindo o próprio sonhador. E, o que é mais importante, o sonhador não tem qualquer controle sobre o que as figuras sonhadas estão fazendo! Em outras palavras, um novo mundo vivo é criado em uma fração de segundo, fabricado como resultado da memória e da imaginação meramente por um simples movimento naquela partícula de consciência. Imagine, portanto, diz Maharaj, o extraordinário poder desta consciência, uma mera partícula que pode conter e projetar um universo inteiro. Quando o sonhador acorda, o mundo de sonhos e as figuras sonhadas desaparecem.
          O que acontece quando o sono profundo e também o estado de sonho terminam, e a consciência aparece novamente? O sentimento imediato, então, é o da existência e presença, não de um ‘eu’, mas presença como tal. Logo, contudo, a mente assume e cria o ‘eu’ – conceito e consciência do corpo.
          Maharaj diz-nos repetidamente que estamos tão acostumados a pensar de nós mesmos como corpos tendo consciência, que achamos muito difícil aceitar ou mesmo entender a situação real. Na realidade, é a consciência que manifesta a si mesma em inumeráveis corpos. É, portanto, essencial perceber que nascimento e morte são apenas o início e o fim de uma corrente de movimentos na consciência, os quais são interpretados como eventos no espaço e no tempo. Se pudéssemos entender isto, deveríamos também compreender que somos puro ser-Consciência-felicidade em nosso estado original imaculado, e, quando em contato com a consciência, somos apenas a testemunha dos (e totalmente separados) vários movimentos na consciência. Este é um fato evidente porque, obviamente, nós não podemos ser o que percebemos; o percebedor deve ser diferente do que ele percebe.
 
"Sinais do Absoluto" 




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