Blog da Editora Advaita com textos de dialogos com Sri Nisargadatta Maharaj e outros Mestres como Sri Ramana Maharshi, Jean Klein, Ramesh Balsekar, Tony Parsons, Karl Renz e outros. Não-dualidade. Para encomendar o livro "Eu Sou Aquilo" Tat Twam Asi - Conversações com Sri Nisargadatta Maharaj" escrever para editora.advaita@gmail.com

domingo, 30 de maio de 2010

A magnífica fraude





A consciência, diz Maharaj, é a enganadora e cativante Mahamaya, a maior fraude jamais vista! Este cativante sentido de presença é apenas um sentido, um conceito que vem ao Absoluto Não-manifesto como um hóspede indesejado que se apropria da casa tão traiçoeiramente que o anfitrião adormece em uma falsa segurança e bem-estar. Maharaj também chama a isto de ‘uma doença temporária’ que produz delírio enquanto dura!
Este sentido de estar vivo – estar presente – é tão inebriante que se fica encantado pela manifestação que apresenta. Fica-se tão envolvido no espetáculo que raramente se toma o cuidado de descobrir se ele existe realmente ou é apenas uma visão, uma alucinação, um sonho, uma miragem. Vê-se uma árvore e se fica tão encantado por ela que se esquece que a árvore é apenas o resultado do desenvolvimento da semente, a qual é sua verdadeira origem. A meta de Paramartha (Parama-artha, o significado básico) é buscar a origem, a semente. Qual é a semente desta manifestação? Se você não estiver consciente, pergunta Maharaj, haverá alguma manifestação de algum tipo? Se você não estiver consciente, o universo existirá para você? É apenas quando você está (consciente) que o mundo existe. Assim, obviamente, o universo está contido no fragmento da consciência (que se supõe existir no menor orifício no centro do cérebro). A consciência não pode se manifestar, não pode ser consciente de si mesma, a menos que exista um aparato psicossomático, o corpo. Qual a origem do corpo? Obviamente, o esperma fertilizado em um óvulo do útero de uma mulher. Qual a origem do esperma e do óvulo? A alimento consumido pelos pais. Agora, pergunta Maharaj, a que conclusão chegamos? O Absoluto, o potencial supremo, a origem de tudo não pode, talvez, ser tão mundano quanto o ‘alimento’! Portanto, este sentido de eu sou, a consciência, este sentido de presença não pode ser nada senão um conceito, uma visão, um sonho, uma alucinação! E esta consciência é a origem de toda a manifestação – na verdade, é a manifestação.
Neste ponto há uma questão fundamental básica. Quem tem que chegar a esta conclusão? Que outro senão ‘Eu’? ‘Eu’ que sou responsável por toda manifestação, Eu que sou todo tipo de fenômeno manifesto, Eu que estava presente há cem anos atrás, Eu que estava presente antes de o ‘tempo’ ser concebido, Eu que sou atemporalidade, Eu que sou Consciência não consciente de si mesma, pois naquilo, meu verdadeiro estado de Totalidade, Unicidade, não há nem presença nem ausência; ausência da presença de presença, ausência da presença de ausência é o que-Eu-sou (E cada um dos seres sensíveis pode dizer isto – não quanto a si mesmo, mas como ‘Eu’).
Necessitamos ver tudo isto, novamente, em forma breve? Aqui está:
(1) A existência manifestada é fenomênica, e os fenômenos, como aparências sensorialmente cognoscíveis e limitadas no tempo, são uma visão, um sonho, uma alucinação e, portanto, falsos. A existência não-manifestada é Absoluta, atemporal, ilimitada, não consciente de existir, sensorialmente não cognoscível, eterna, portanto, verdadeira. Quem diz isto? A consciência, certamente, que tenta conhecer a si mesma e não sendo bem sucedida, pois o conhecer (não há nenhum conhecedor como tal) não pode conhecer aquilo que é, em si, conhecer: Um olho não pode ver a si mesmo embora veja tudo o mais. O buscador é o buscado: Esta é a verdade básica mais importante.
(2) Eu, o não-manifesto, sou a potencialidade total, a absoluta ausência do conhecido e do cognoscível, a absoluta presença do desconhecido e do incognoscível. Eu, manifesto, sou a totalidade de todo o fenômeno, a totalidade do conhecido na qualidade inconcebível do desconhecido não-manifesto.
(3) Só pode existir Eu – o Eu eterno – totalmente incondicionado, sem o mais leve toque de qualquer atributo, pura subjetividade. O simples pensamento de ‘eu’ é imediata e espontânea (mas ilusória) escravidão: Deixemos o eu desaparecer e, imediata e espontaneamente, você é Eu.
(4) Fenomênicamente, o ‘eu’ (e ‘você’ e ‘ele’) é apenas uma aparência na consciência: Como poderia uma aparência estar em escravidão? Numenalmente, como Eu poderia – a pura subjetividade – necessitar de qualquer liberação? A liberação não é outra coisa que estar livre da idéia de que existe ‘alguém’ que necessita de liberação.
(5) Como poderia alguém saber se está ‘progredindo’ espiritualmente? Poderia ser que o sinal mais correto de ‘progresso’ seja a falta de interesse sobre o progresso e a ausência de ansiedade acerca da liberação no despertar da clara apreensão? Uma apercepção instantânea do ‘funcionamento’ total de Nisarga (a natureza) na qual não há lugar para uma entidade autônoma.

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"Sinais do Absoluto"



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